QUEM NÃO SAI DA BOLHA NÃO TEM O QUE CONTAR

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QUEM NÃO SAI DA BOLHA

NÃO TEM O QUE CONTAR

Quem Conta Boas Histórias Tem Algo que Não Se Compra: Repertório. Steve Jobs deu uma das entrevistas mais citadas sobre criatividade em 1996, para a revista Wired. Numa das passagens mais conhecidas, ele disse:

“Criatividade é apenas conectar coisas. Quando você pergunta a pessoas criativas como fizeram algo, elas se sentem um pouco culpadas porque não fizeram nada de novo, elas apenas viram algo. Porque eram capazes de conectar experiências que tiveram e sintetizar coisas novas. E a razão pela qual conseguiam fazer isso era que tinham mais experiências  ou pensavam mais sobre suas experiências,  do que outras pessoas.”

Jobs não estava falando de genialidade. 

Estava falando de repertório.

E repertório, esse ativo invisível que separa quem conta histórias rasas de quem conta histórias que param o mundo, não nasce do nada. Ele é construído. Deliberadamente. Com curiosidade, abertura e disposição para sair da bolha.

O que é repertório, de verdade?

Repertório não é saber muita coisa. Não é ter lido todos os clássicos ou ter um diploma de especialização. Repertório é a soma de tudo que você viveu, viu, ouviu, leu, sentiu e observou  e que ficou disponível na sua mente para ser conectado de formas inesperadas quando você precisa contar algo.

É a conversa com um taxista que te deu a melhor metáfora sobre liderança que você já ouviu. É a viagem que te mostrou que o seu problema não era único, era só diferente de cultura para cultura. É o livro de um campo completamente diferente do seu que resolveu um problema do seu negócio.

Repertório é o que permite que você diga algo que o outro ainda não ouviu, porque você conectou pontos que ninguém do seu entorno conectou antes.

Por que quem viaja conta histórias melhores

Não é coincidência que grandes contadores de histórias, escritores, comunicadores, líderes, empreendedores, costumam ser pessoas que saíram de casa. Que viajaram, que conviveram com culturas diferentes, que se colocaram em ambientes onde não eram a norma.

Uma pesquisa conduzida pelo psicólogo Adam Grant, professor de Wharton e um dos maiores estudiosos de criatividade no ambiente corporativo, mostrou que profissionais com experiências internacionais consistentes apresentam desempenho criativo significativamente superior ao de pares com menos exposição cultural.

O mecanismo é simples: quando você está fora da sua bolha, o seu cérebro não pode funcionar no piloto automático. Ele precisa processar ativamente o que está vendo, comparar com o que já conhece e construir novas conexões. Esse processo de estranhamento, o contato com o diferente é o combustível da criatividade.

Fonte: Adam Grant, pesquisador de Wharton School, sobre criatividade e experiências culturais diversas. — https://www.loudcoffeepress.com/post/steve-jobs-pixar-and-the-art-of-creativity

Por que conviver com quem pensa diferente

 expande o que você conta

Existe um fenômeno bem documentado nas ciências sociais chamado de “câmara de eco”, a tendência que temos de nos cercar de pessoas que pensam, agem e vivem de forma semelhante à nossa. É confortável. É familiar. E é uma armadilha silenciosa para quem quer construir autoridade através da narrativa.

Quando você convive apenas com pessoas do mesmo campo, da mesma visão de mundo, da mesma bolha social, o seu repertório para de crescer. As suas histórias começam a soar repetitivas, porque são feitas das mesmas referências, dos mesmos exemplos, dos mesmos ângulos.

Já quando você se expõe a pessoas que pensam diferente, que têm trajetórias distintas, que resolvem problemas de formas que você nunca considerou, o seu repertório explode. Porque cada perspectiva diferente é um ponto novo para conectar.

Você não conta histórias melhores lendo mais sobre o que já sabe. 

Você conta histórias melhores vivendo mais fora do que já conhece.

O papel da leitura na construção de repertório

Leitura é a forma mais democrática de acumular repertório. Ela permite que você viaje sem sair do lugar, conviva com mentes que não estão disponíveis no seu círculo social e processe experiências que nunca viveria diretamente.

Uma revisão integrativa publicada na revista científica Recriai, que analisou nove estudos sobre a relação entre leitura e criatividade, encontrou evidência positiva em todos eles: leitura e criatividade estão consistentemente associadas, seja pelo desenvolvimento do pensamento crítico, pela ampliação do repertório cultural ou pela construção de novas conexões cognitivas.

Mas há um detalhe importante: não é qualquer leitura que expande repertório de forma significativa. É a leitura diversa, que cruza campos diferentes, que mistura ficção com não-ficção, que inclui autores de culturas distintas, que desafia o que você já acredita.

Fonte: Revisão integrativa sobre criatividade e leitura — Revista Recriai. — https://recriai.emnuvens.com.br/revista/article/download/37/10/

Curiosidade não é característica. É prática.

Existe uma crença limitante muito comum: a de que algumas pessoas são naturalmente curiosas e outras não. Que repertório é algo que você tem ou não tem, como se fosse um traço de personalidade fixo. E não é.

Curiosidade é uma prática. É a escolha diária de se interessar pelo que está fora da sua zona de conforto. De fazer a pergunta que parece óbvia demais ou complicada demais. De entrar numa conversa sem a intenção de confirmar o que já pensa, mas com a disposição genuína de aprender algo que não sabia.

E essa prática tem um retorno direto e mensurável na qualidade das histórias que você conta. Porque cada vez que você se interessa genuinamente por algo ou por alguém, você adiciona um ponto novo ao seu repertório, um ponto que, no momento certo, vai se conectar a outro e produzir algo que ninguém esperava.

Repertório e autoridade: a conexão que poucos fazem

Autoridade não se constrói apenas com competência técnica. Ela se constrói com profundidade de perspectiva  e profundidade de perspectiva vem de repertório rico.

O profissional que só conhece a sua área fala sobre ela de um único ângulo. O profissional com repertório diverso consegue iluminar a mesma área a partir de múltiplos pontos de vista, o que torna a sua comunicação mais rica, mais inesperada e, consequentemente, mais memorável.

É por isso que as melhores histórias raramente vêm de quem passou a vida inteira num único território. Vêm de quem transitou, explorou, se perdeu em lugares desconhecidos e voltou com mais pontos para conectar.

Repertório é o que permite que você diga algo que o outro ainda não ouviu, porque você viveu o que o outro não viveu, leu o que o outro não leu, e viu o que o outro passou sem prestar atenção.

Como construir repertório de forma intencional

Repertório não exige grandes viagens ou grandes investimentos. Exige intenção. Exige a decisão de sair, regularmente, do que é familiar.

Saia da bolha.

Converse com quem pensa diferente de você. Frequente ambientes que não são os seus. Ouça perspectivas que te desafiam.

Leia fora do seu campo.

Se você é empreendedor, leia história. Se você é técnico, leia ficção. Se você é analítico, leia poesia. As conexões mais criativas surgem exatamente onde os campos se cruzam.

Viaje, mesmo que seja perto.

Novos ambientes ativam o cérebro de formas que a rotina não consegue. Não precisa ser outro continente, pode ser outro bairro, outra cidade, outra realidade.

Seja curioso por pessoas.

Cada pessoa carrega uma história única. E quem aprende a ouvir com profundidade acumula, nessas histórias, um repertório que nenhum livro entrega sozinho.

Preste atenção.

Repertório não é apenas acumular experiências. É processar o que você vive. Quem passa pelas coisas sem refletir sobre elas não acumula repertório, acumula tempo.

Quem conta boas histórias não nasceu com esse dom. Construiu esse repertório, um livro, uma viagem, uma conversa, uma experiência fora da zona de conforto de cada vez.

Quantos pontos você tem para conectar  e quantos está deixando de acumular por não sair da bolha?

Silvana Lages

Fundadora da Editora Empreender  

História guardada não gera autoridade.
Publique a sua história em um livro e amplie seus horizontes.

Editora Empreender — Dando voz à sua história.
Saiba mais: (31) 9 9136-7973
@editora.empreender

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