Liliane Raquel
O que permanece depois de uma segunda-feira qualquer
@mulhermaravilhadosecxxi
Era uma segunda-feira qualquer de fevereiro, o ano mal havia começado e num apartamento de Belo Horizonte, um quarteto virou trio.
O Marcinho não havia se despedido, não sabia que tocava a última música no violão naquele domingo, que o coração pararia sem barulho, sem aviso.
A filha chamou o Samu às 5h20 , o filho pegou o celular para a mãe com o enfermeiro falando sobre massagem cardíaca.
E Liliane Carvalho, que nunca havia falado sobre morte com os filhos, aprendeu na pior manhã da vida o que nenhuma teoria consegue ensinar.
A escrita foi o único bote.
Poemas às 3 da manhã no @mulhermaravilhadosecxxi.
Cada palavra um grito. Uma prece. Um fio de ar.
A morte ensina mais que a vida.
Porque ela rasga a venda e faz engolir verdades que preferíamos não ver.
Um ano depois, a Maria Clara toca o violão do pai com destreza.
O João Lucas descobriu que ama cozinhar.
E Liliane segue, com silêncios que não conhecia antes, com a alma acesa apesar de tanta tristeza.
Viúva. Escritora. Dentista. Mãe. E “pãe”, como ela mesma diz.
Essa história está inteira no livro PADECENDO NO PARAÍSO.
Porque algumas histórias nos ensinam que o luto também pode ser recomeço.
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