Karolina Gamaliel

Da ponta da sapatilha ao sorriso

@drakarolinagamaliel
Karolina GamalielAos quinze anos, ela era a primeira bailarina da companhia. Solos difíceis. Fantasias perfeitas. A menina que se propunha a algo e não parava até conseguir.Então decidiu ser médica.

Quatro vestibulares. Quatro reprovações.

Teimosa demais para mudar. Determinada demais para desistir.

Até que veio o convite para Buenos Aires, dois meses no Teatro Colón. Só dançar. Só respirar. Só reavaliar.

Aos 22 anos, sozinha num aeroporto que nunca havia visto, sem celular, sem espanhol, com medo real, aquela menina que abraçava a árvore para ninguém a levar se viu mais sozinha do que nunca.

E foi exatamente ali que a vida começou a mostrar outro caminho.

Numa faculdade argentina, num corredor, jovens brasileiros eufóricos falando de um vestibular de medicina que aceitava estrangeiros.

Ela não tinha dinheiro. O namorado emprestou. Ela passou.

Começou medicina em espanhol. E foi percebendo, aula por aula, que não era aquela vida que queria.

Até o dia em que um professor de histologia entrou na sala sem o incisivo central, na maior naturalidade  e aquela imagem não saiu mais da cabeça.

O senhor Alberto, pai da colega, que dançava tango de madrugada e acordava cedo com boa cara, olhou para ela uma noite e disse: “A Amanda está feliz assim. Seu jeito de ser feliz é outro. Larga isso e vamos dançar.”

Ela foi.

Voltou pro Brasil. Fez três vestibulares. Passou nos três.

A mãe disse: “Nunca entendi por que odontologia nunca foi opção. Você desde pequena valoriza tanto o sorriso.”

Ela ouviu a mãe.

Monitora em várias matérias. Destaque acadêmico na formatura. Especialista em endodontia. Casada feliz e com dois filhos incriveis.

“Salvar dentes, para mim, é salvar sorrisos.”

 

Se essa história tocou algo em você, ela está no livro DO SONHO AO SUCESSO, Karolina Gamaliel,  uma mulher que aprendeu que teimosia sem escuta pode nos manter longe do que somos.

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