Janaína Cunha
O corpo fala o que a mente tenta esquecer
@janazonzin
Tinha 21 anos quando ouviu no telefone o funcionário do restaurante respirar fundo. Não precisou ouvir o resto. O corpo sabe antes que a mente entenda. Sua mãe tinha 62 anos. E havia escolhido partir.
Janaina da Cunha Zonzin cresceu numa casa de vigilância e controle, numa adolescência podada, numa mãe que amava com rigidez, porque era tudo que sabia fazer para sobreviver. Só quando se tornou mãe é que entendeu a mãe que teve.
A Valentina chegou com 23 horas de parto natural. E com ela, o transtorno afetivo bipolar, a vontade de fugir, e a sombra do suicídio da mãe rondando cada pensamento. Ela escolheu ficar. Por suas filhas. E por si.
Mergulhou na aromaterapia, na medicina chinesa, na psicoterapia corporal. Aprendeu que o trauma não é só o evento, é a tensão que permanece no corpo. Que o olfato é o único sentido que chega diretamente à emoção. Que o gerânio cheira à mãe alquimista: aquela que acolhe e devolve ao centro.
Da sua própria ferida nasceu a Salinha Aromática, para mulheres que carregam dores físicas, cansaços invisíveis, histórias silenciadas. A linhagem pode mudar a partir de uma mulher que decide não fugir de si mesma.
Essa história está inteira no livro PADECENDO NO PARAÍSO.
Porque às vezes o aroma que nos cura é feito da própria saudade.
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