Ireni Mota
Cartas escritas com a fumaça de um avião
@irenimotaa
Toda manhã antes da escola, ela ficava parada no pátio da fazenda olhando o céu azul.
E via a fumaça branca dos aviões riscando o horizonte.
Para onde irão? Um dia também me levarão?
Ireni Mota tinha cinco anos. E já sabia, de alguma forma, que estava destinada a voar.
Cresceu entre dez irmãos numa fazenda de Minas, filha de um pai que cortou seu próprio umbigo porque a parteira chegou tarde e contava a história com muito orgulho do feito.
Aprendeu a ler antes da escola. Costurava roupas para bonecas na máquina da mãe. E quando entrou na sala de aula, recusou assinar diferente do jeito que o pai havia ensinado: “Este não é o meu nome.”
Já nascia assim, com identidade própria.
Aos nove anos, foi para a cidade. A fazenda ficou. O céu azul ficou. Mas a menina foi, com os sonhos inteiros na bagagem.
Depois veio Belo Horizonte. Concurso bancário, universidade, melhor aluna de todos os semestres, recebia isenção total das mensalidades enquanto poupava o salário do banco.
Dias antes da prova do concurso dos sonhos, um acidente de carro. Fraturas nas pernas. Traumatismo craniano.
Estudou de dentro da recuperação. Prestou outro concurso. Passou com excelente colocação.
E o médico que a operou, anos depois reapareceu. A chama que havia acendido no hospital nunca havia apagado.
Casou- se com ele. Teve dois filhos. Os dois filhos seguiram medicina, como o pai.
Formada em geografia. Depois advogada. Depois palestrante.
E quando perguntam qual é seu título favorito, ela diz: fazendeira.
Porque crescer não é se afastar das raízes, é transformá-las em asas.
Se essa história tocou algo em você, ela está no livro DO SONHO AO SUCESSO, Ireni uma menina que olhava aviões e aprendeu a voar do próprio jeito.
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