Irene Bellotti
O amor que o céu guardou
@irenebellotti
Cinco dias com o filho morto dentro de si. Cinco dias acordando. Andando pela casa. Respondendo mensagens. Tentando existir dentro de uma rotina que já não fazia sentido.
Benjamin estava no oitavo mês quando o coração parou. Mas antes de Benjamin, vieram outras perdas.
Em um desses abortos, Irene Bellotti foi ao banheiro, e viu o que nenhuma mãe deveria ver.
E deu descarga. E dirigiu para casa carregando aquilo sozinha.
Antes disso, Bernardo havia chegado. E mudado tudo.
Depois de Benjamin, vieram quatro meses de espera e uma sexagem num voo, um resultado que só pôde ser aberto depois que pousaram.
Era uma menina. A Laura. Que chegou com o choro que encheu a sala. E na manhã da alta hospitalar, a notícia da morte do sogro.
A vida colocando lado a lado o que parece impossível de caber no mesmo instante. Hoje são quatro. O Bernardo sereno. A Laura tsunami de vida. E o Benjamin, nas orações da irmã que nunca o conheceu, mas que sabe que faz parte da família.
Alguns filhos vêm, ensinam, partem e permanecem no amor que deixam.
Essa história está inteira no livro PADECENDO NO PARAÍSO.
Porque há amores que o céu guarda com mais cuidado do que a terra consegue.
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