Elisa Helena

O fio que não se rompe

@milanezelisa
Elisa HelenaEla tirou as mãos do volante. Era a volta do trabalho. A estrada vazia.

E um pensamento que vinha há meses: e se o carro saísse da pista?

Dois quarteirões antes da escola do Miguel, parou. Enxugou o rosto na camisa. Colocou um sorriso.

E quando aquele menino de óculos azuis veio correndo gritando “Mamãe!”, ela entendeu que não podia fazer com ele o que o pai havia feito com ela. Elisa cresceu ouvindo sua voz no coral da missa, com apelidos cruéis que escondiam racismo, com o pai que ela adorava, que sumiu aos 45 anos num suicídio.

Tornou-se enfermeira. Trabalhou no sistema prisional. Teve o Miguel, se separou, foi para o hotel com o filho e a cachorra. E então o cansaço virou colapso.

Naquela noite, ela postou no Padecendo no Paraíso. E quatro mães da mesma cidade apareceram com café, escuta e presença.

Voltou ao tratamento. Encontrou a si mesma. Encontrou um novo amor.

Mudou para a roça, em Brumadinho.

Virou agricultora familiar. A gente não nasceu à toa. A graça é vivê-la com direito a tudo, inclusive ao recomeço.

 

Essa história está inteira no livro PADECENDO NO PARAÍSO.

Porque às vezes o fio da vida passa pela mão de uma criança sorrindo.

📖 @editora.empreender