Bárbara Gamaliel

O silêncio que ensina

 @barbaragamaliel9
Bárbara GamalielEle chegou como tempestade elétrica: chorão, intenso, colado nela como se a pele dela fosse o único lugar seguro do mundo.

E então, aos poucos, foi sumindo.

Não foi num dia só. Foi habilidade por habilidade. Gesto por gesto. Brilho por brilho.

O olhar que antes encontrava o dela virou fuga. O sorriso compartilhado virou expressão distante.

Bárbara Gamaliel via o filho escorregar por entre os dedos enquanto os profissionais diziam: “É reflexo da pandemia.” “É só falta de socialização.” “Todas as crianças estão assim.”

Mas algo dentro dela gritava: Não está tudo bem.

Antônio começou a se balançar sem parar. A chorar sem emitir som. A bater a cabeça no berço, na parede, no chão.

Ela comprou um chiqueirão, encheu de colchões e travesseiros, e dormiu ali dentro, noites inteiras, rezando para que ele não se machucasse.

Ela sempre gostou de silêncio. Mas o silêncio do filho não era contemplação. Era corte. Era peso.

Quando o diagnóstico de autismo veio, com um ano e oito meses, ela não chorou no consultório. Não perguntou por quê.

Só perguntou: “O que eu preciso fazer agora?”

Porque é isso que as mães fazem. Mesmo com o coração mergulhado em dúvida e angústia, elas criam lista de tarefas e continuam.

Bárbara sabe que existe um discurso que romantiza o autismo. Ela não romantiza. Ela vive. E nesse viver há beleza e há cansaço,  aquele que não passa só com dormir.

Foi desse lugar, de dor, exaustão e amor acumulado,  que nasceu a Mamães TeTEA.

Um movimento para potencializar o que essas crianças conseguem fazer e devolver dignidade e possibilidade às suas mães.

Porque nenhuma mãe deveria virar ilha.

 

Se essa história tocou algo em você, ela está no livro DO SONHO AO SUCESSO, Bárbara Gamaliel, uma mãe que aprendeu que o silêncio mais pesado pode ensinar o que nenhuma palavra consegue.

📖 @editora.empreender